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Brexit 6 anos depois: o que muda para europeus no Reino Unido (e vice-versa)

Seis anos após a saída efetiva da União Europeia, o Reino Unido consolidou regras próprias para entrada, permanência e trabalho. Para quem mora no UK e viaja à Europa, e para europeus que cruzam o Canal, vale revisar o que mudou.

Ônibus de dois andares cruzando a Westminster Bridge ao pôr do sol

ETA: a autorização britânica para visitantes

Desde 2025 o Reino Unido exige a Electronic Travel Authorisation (ETA) de viajantes que entram sem visto, incluindo cidadãos da União Europeia. Custa £16, vale 2 anos ou até o passaporte vencer, e permite múltiplas entradas de até 6 meses cada. Aplicação pelo app oficial UK ETA ou pelo site gov.uk — fuja de intermediários.

Filas na imigração

Cidadãos da UE perderam o acesso aos canais "EU/EEA" em Heathrow, Gatwick e Stansted. Em compensação, a maioria dos passaportes biométricos europeus pode usar os ePassport Gates — filas eletrônicas relativamente rápidas. Na direção contrária (britânicos chegando ao Schengen), a fila "All Passports" virou a regra, e em alta temporada a espera em aeroportos como Barcelona, Lisboa e Roma pode passar de uma hora.

Regra Schengen 90/180 para residentes no UK

Britânicos e cidadãos não-europeus que vivem no Reino Unido caem na regra padrão do Schengen: no máximo 90 dias dentro de qualquer janela de 180 dias em todo o espaço Schengen somado — não por país. Quem tem casa em Portugal ou Espanha como segunda residência precisa controlar bem o calendário. Para passar mais tempo, é preciso visto nacional de longa estadia, golden visa em desuso, ou cidadania.

Roaming

O fim do "roam like at home" foi um dos efeitos práticos do Brexit. As três grandes operadoras britânicas (EE, Vodafone, Three) voltaram a cobrar taxas diárias para uso do plano na União Europeia — geralmente £2 a £2,50 por dia. Operadoras menores (Smarty, Voxi, iD Mobile) ainda mantêm uso gratuito na UE, então vale comparar antes da viagem. eSIMs como Airalo e Holafly resolvem o problema com pacotes regionais baratos.

Trabalhar e estudar

  • UE → Reino Unido: é necessário visto de trabalho patrocinado (Skilled Worker), visto de estudante, Youth Mobility Scheme (para alguns países) ou status de residente pré-estabelecido (EU Settlement Scheme).
  • Reino Unido → UE: cada país tem regras próprias. Portugal e Espanha continuam relativamente acessíveis para vistos de trabalho qualificado e nômade digital; França e Alemanha exigem mais documentação.
  • Estudantes: britânicos perderam o Erasmus+ e agora pagam taxas internacionais nas universidades europeias. Estudantes da UE no UK também pagam tarifa "international fee", que pode triplicar o custo do curso.

Direção, saúde e levar comida na bagagem

  • Carteira de motorista europeia ainda é válida para visitas curtas no UK e vice-versa. Para residir, é preciso converter.
  • Saúde: o EHIC europeu foi substituído pelo GHIC britânico, que garante atendimento público em emergências dentro da UE — mas não substitui um seguro viagem de verdade.
  • Bagagem: está proibido levar carnes, laticínios e mudas de planta entre UK e UE em bagagem pessoal. O famoso queijo comprado em Paris fica de fora.

Resumo: o Brexit não fechou o trânsito entre Reino Unido e Europa, mas adicionou camadas de burocracia, custo e tempo. Planejar com 2 a 3 meses de antecedência — ETA, controle dos 90/180, plano de celular, seguro — evita 90% das surpresas.